

Ação contra Hirman reúne mensagens, PIX e relatos sobre suposta rachadinha
Investigação da Polícia Civil embasa ação do MPPR contra a vereadora de Matinhos e o marido, Elias Fernandes Ferreira. Ministério Público pede ressarcimento de R$ 45.299,64, além de outras sanções.
Mensagens, comprovantes bancários, extratos, vídeos, áudios e depoimentos integram o inquérito da Polícia Civil do Paraná que embasou uma ação de improbidade administrativa contra a vereadora de Matinhos Hirman Ramos Eiglmeier Ferreira, a Hirman da Saúde (Podemos), e o marido dela, Elias Fernandes Ferreira. O caso deu origem à Operação Diária Oculta.
Segundo o Ministério Público do Paraná, a investigação aponta inicialmente a cobrança de parte dos salários de assessores. Depois, o suposto esquema teria envolvido a devolução de sobras de diárias pagas pela Câmara para cursos e capacitações, principalmente em Curitiba. Os repasses teriam começado por PIX e passado a ser feitos em dinheiro, após saques.
A Polícia Civil reconstituiu cinco cursos realizados em 2025 e identificou transferências e depósitos relacionados aos valores das diárias. Na análise financeira, foram documentados R$ 11.967,02 em repasses atribuídos a Daniele Luzia dos Santos Rosa, Paulo Cleberson da Silva Oliveira e Michele Cristina de Lima. Com valores relatados, mas sem comprovação documental, o total apontado chega a R$ 15.381,32.
Conversas recuperadas de celulares apreendidos também fazem parte do processo. Em uma delas, a vereadora teria orientado transferências de R$ 400 e R$ 500. Em outra, teria determinado um PIX de R$ 150 e orientado que o dinheiro fosse entregue “na mão”. O relatório policial registra ainda uma mensagem com a frase “Tem que apagar”, interpretada pela investigação como tentativa de dificultar a produção de provas.
Depoimentos relatam entregas em envelopes, no gabinete ou em locais públicos. Michele afirmou que repassava “quase tudo” das diárias, cerca de R$ 2,4 mil por curso, e que a vereadora usava os termos “uma sacola” e “um vestido” para se referir ao dinheiro. A análise financeira atribuiu a Michele quatro repasses que somam R$ 5.258,60.
O MPPR sustenta que Elias teria atuado na organização dos repasses e orientado a mudança do PIX para dinheiro vivo. Na ação, o Ministério Público pede o ressarcimento de R$ 45.299,64, multa civil, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por 14 anos, proibição de contratar com o poder público e indenização mínima de R$ 100 mil por danos morais coletivos.
A Justiça acolheu o pedido de afastamento ao considerar presentes indícios de improbidade e risco de continuidade das condutas e de eventual coação de testemunhas. A indisponibilidade de bens não foi concedida integralmente. O JB Litoral informou que procurou Hirman para comentar o caso, mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem.
Fonte: jblitoral.com.br
Informação que importa, direto do Diário dos Sete.
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