

Antônio Botelho, o “Centurião” que marcou a memória de Paranaguá
Conhecido pela força física e pela participação nas procissões da Semana Santa, Antônio Botelho representava um soldado romano em Paranaguá. Em 1874, ele foi preso após uma perseguição pelas ruas da cidade e morreu meses depois na cadeia.
Antônio Botelho era português, alto e corpulento. Em Paranaguá, ficou conhecido pelo apelido de “Centurião”, ligado ao papel que desempenhava nas celebrações da Semana Santa: o de um soldado romano na procissão do Senhor Morto.
Durante o cortejo, Botelho usava capacete, couraça e coturnos, além de carregar escudo, sabre e uma lança. Sua presença, associada às cerimônias noturnas e às orações, provocava temor, especialmente entre as crianças. Segundo os registros citados pela fonte, algumas mães usavam a figura do personagem para repreender os filhos.
Em 1874, uma notícia de crime se espalhou pela antiga Rua da Misericórdia, atual Rua Dr. Leocádio. Botelho permanecia armado dentro de casa quando a população cercou a residência. Ele escapou pelos fundos e correu pelo campo onde hoje está a Praça Eufrásio Correia, seguindo em direção ao Rocio.
A perseguição terminou quando um jovem marinheiro de uma escuna ancorada no Itiberê o alcançou e o derrubou com uma paulada. Preso, Botelho apresentava, segundo o relato histórico, sinais de grave perturbação mental. Meses depois, morreu na cadeia e foi sepultado no antigo Cemitério do Palmital.
A história do personagem permaneceu associada às antigas procissões, às lanternas e às memórias de Paranaguá. A fonte também relaciona o episódio a uma referência de Vicente Nascimento Jr., publicada em 1944.
Fonte: Folha do Litoral News
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