

De propriedade rural a título nobiliárquico: a origem do nome Nácar
O nome Visconde de Nácar, presente em ruas e na memória de Paranaguá, teria origem em uma propriedade rural mantida por Manoel Antonio Guimarães, em Antonina. A explicação relacionada às conchas da região permanece apenas como possibilidade.
O título Visconde de Nácar está ligado à trajetória de Manoel Antonio Guimarães, nascido em Paranaguá em 1813 e morto na cidade em 1893. Comerciante ligado à economia paranaense do século XIX, especialmente ao comércio da erva-mate, ele também exerceu funções públicas e políticas.
A palavra “Nácar” designa a madrepérola, substância produzida no interior das conchas de determinados moluscos. Apesar da relação possível com o ambiente de Paranaguá, marcado por baías, manguezais, ilhas e sambaquis, a documentação conhecida aponta outra explicação para a origem do título.
Guimarães mantinha em Antonina um estabelecimento rural chamado Nácar, com lavoura e engenho de arroz. Segundo a fonte, teria sido essa propriedade a origem da denominação incorporada aos títulos recebidos durante o Império: Barão de Nácar, concedido por D. Pedro II em 1876, e Visconde de Nácar, em 1880.
Há também uma coincidência envolvendo a presença de conchas na trajetória econômica do proprietário. Nas proximidades do Sambaqui do Guaraguaçu, pesquisas registraram uma antiga caieira pertencente a Guimarães, onde conchas eram usadas na produção de cal. Tijolos associados à olaria do local traziam a marca “Nácar”.
Ainda não há documento que esclareça por que Guimarães escolheu esse nome para sua propriedade. A possibilidade de uma relação com o território marcado pela presença de conchas permanece sem confirmação. Com o tempo, Nácar passou a designar a propriedade, os títulos nobiliárquicos e parte da memória de Paranaguá.
Fonte: Folha do Litoral News
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