

Estudantes cobram transporte intermunicipal para acesso ao ensino superior
Acadêmicos do Litoral do Paraná relatam falta de ônibus, vagas insuficientes e longos deslocamentos. Pesquisa preliminar com 90 alunos da Unespar aponta que 73,9% já perderam aulas por não conseguirem chegar à universidade.
A escassez de transporte universitário entre os municípios do Litoral do Paraná continua dificultando o acesso e a permanência de estudantes no ensino superior. Acadêmicos afirmam que, mesmo onde o serviço existe, não há veículos em todos os períodos e as vagas não atendem à demanda.
A União Paranaense dos Estudantes (UPE) realiza uma pesquisa com alunos de universidades públicas e particulares da região para reunir dados sobre deslocamento, permanência e evasão. O levantamento também deverá embasar um estudo técnico sobre mobilidade acadêmica.
Um balanço preliminar, respondido por 90 estudantes da Unespar, mostra que 91,7% dependem de transporte para estudar e 58,3% frequentam instituição em município diferente de onde moram. Para 66,7%, o trajeto dura de uma a duas horas; 70,8% não recebem auxílio e 73,9% já perderam aulas por problemas no deslocamento.
A dificuldade também afeta a continuidade dos cursos: 66,7% disseram já ter pensado em desistir da graduação, enquanto 70,8% avaliam que o transporte prejudica o desempenho acadêmico. A presidente do DCE da Unespar, Karinne Lugo, relatou que estudantes do período noturno podem esperar ônibus perto das 23h em uma área considerada deserta.
Em Paranaguá, o projeto “Transportando o Futuro”, aprovado por unanimidade na Câmara em novembro de 2025, foi vetado integralmente pelo prefeito Adriano Ramos. A Prefeitura alegou “inconstitucionalidade por vício de iniciativa”, sob o argumento de que a proposta criaria política pública e despesas para o Executivo por iniciativa parlamentar.
Os municípios informaram serviços distintos. Matinhos mantém sete ônibus gratuitos para 369 alunos; Antonina atende 78 universitários; Morretes tem 112 alunos cadastrados; Guaratuba transporta 28 estudantes para a UFPR Litoral; e Paranaguá oferece o benefício a 54 moradores que estudam na UFPR, em Matinhos. Pontal do Paraná possui programa de auxílio, enquanto Guaraqueçaba informou não ter o serviço por falta de demanda.
Após concluir o levantamento regional, a UPE pretende promover um fórum com instituições e autoridades para apresentar os dados e discutir soluções, incluindo a possibilidade de um passe livre metropolitano no Litoral.
Fonte: JB Litoral
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