

Expressão “sem eira nem beira” não teria origem em diferenças sociais nos telhados
Interpretação popular associa camadas de telhas à riqueza dos moradores, mas os elementos tinham função prática na proteção das edificações. Texto também questiona o uso dos termos “eira” e “tribeira” nessa narrativa.
A expressão “quem não tem eira nem beira” é tradicionalmente usada para se referir a alguém sem bens, recursos ou um lugar para se estabelecer. Uma interpretação difundida relaciona o ditado a supostas diferenças sociais indicadas pelos telhados de casas antigas, mas essa explicação é apresentada com cautela no texto.
As camadas de telhas nas extremidades dos telhados tinham a função de afastar a água das paredes e proteger partes da construção, como estruturas de madeira, portas e janelas. Embora também pudessem contribuir para a aparência das fachadas, estavam ligadas principalmente às técnicas construtivas e à conservação dos imóveis.
Por esse motivo, o texto contesta a ideia de que a quantidade de camadas de telhas servisse como medida da riqueza ou da posição social dos moradores. Também aponta que os termos associados à narrativa turística — “eira, beira e tribeira” — não correspondem integralmente ao contexto tradicional dos telhados, no qual aparecem denominações como “beira-seveira” e “beira-sob-beira”.
A eira é descrita como um espaço liso, duro ou lajeado usado para debulhar e secar cereais e legumes, enquanto “beira” indica a extremidade desse terreno. Já “tribeira” seria uma formulação posterior da narrativa popular e turística; para uma composição de três telhas, o texto cita a denominação popular “tríplice telha”.
Fonte: Folha do Litoral News
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