

Sobrestadia de navios pode reduzir margem de agroexportadores
Aumento do volume exportado pelo agronegócio brasileiro amplia filas nos portos e pode elevar os custos com demurrage. Contratos e documentação são apontados como pontos centrais para prevenir prejuízos.
As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 103,4 bilhões entre janeiro e julho de 2026, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. O avanço também pode aumentar a espera de navios em Santos, Paranaguá e nos portos do Arco Norte.
Nos contratos de afretamento, o laytime corresponde ao período previsto para carregar ou descarregar a mercadoria. Quando esse prazo termina antes da conclusão da operação, começa a demurrage, indenização diária paga ao armador pelo tempo adicional de imobilização da embarcação. Em períodos de pico, os valores podem chegar a dezenas de milhares de dólares por dia.
Pesquisa realizada em 2024 e divulgada pela Bain & Company em maio de 2025 estimou que o Brasil gastou aproximadamente US$ 2,3 bilhões naquele ano com sobrestadia de navios durante operações de carga e descarga. O custo pode afetar commodities como soja, milho, minério de ferro e petróleo, com reflexos sobre preços e competitividade.
Nas vendas FOB, o comprador estrangeiro normalmente afreta o navio, mas os contratos de compra e venda costumam atribuir ao vendedor brasileiro a responsabilidade pela demurrage no porto de embarque. Assim, congestionamentos, chuvas, falhas em equipamentos e problemas na cadeia logística podem gerar cobranças ao exportador.
A prevenção envolve compatibilizar o contrato de venda com o charter party, definir as condições para início da contagem do laytime a partir da Notice of Readiness e estabelecer claramente exceções para chuva, feriados e paralisações. Também é necessário observar os prazos de reclamação de contratos como os formulários GAFTA.
Em eventuais disputas, documentos como Statement of Facts, registros de atracação, laudos de inspeção e mensagens trocadas com terminais e agentes marítimos podem ser determinantes. Segundo o artigo, esses conflitos são frequentemente submetidos a arbitragens no exterior, em Londres ou Nova York, sob lei inglesa.
Fonte: agfeed.com.br
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